sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Parque Verde (1)

Imaginem um parque na margem esquerda do Lena, em Porto de Mós; Imaginem uma área com espaço suficiente para nela se criar uma enorme zona de lazer;
Imaginem árvores, muitas árvores, de várias espécies, a crescerem, ano após ano, na margem esquerda do rio;
Imaginem uma mata no centro da vila. Imaginem as sombras e o alívio de poder escapar ao calor dos verões asfixiantes que se anunciam;
Imaginem, entre as árvores ou algures no imenso espaço, um circuito de manutenção, campos de relva e todo o equipamento necessário à prática desportiva e ao convívio de gente de todas as idades;
Imaginem, por um minuto, em vez da pedra e do betão previstos, um parque verdadeiramente verde;   
Imaginem a vila com uma qualidade de vida que agora, manifestamente não tem;
Imaginem…

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Henrique Neto

  Henrique Neto é um homem corajoso e frontal. Mostrou-o, uma vez mais, na entrevista ao jornal Público de 4 de Outubro. Com o desassombro e a independência que o caracterizam, o empresário fala do país e da crise em que vivemos. Fala dos erros de quem governa e de oportunidades perdidas; de um presente sem rumo e de um futuro sem cor; de interesses instalados e de promiscuidades obscuras. O quadro que pinta é seco e cru. As cores, sombrias, como não podia deixar de ser.   
   Lendo a entrevista, percebe-se a enorme preocupação de um homem com o seu país. Percebe-se como chegámos à situação difícil em que nos encontramos. E percebe-se, acima de tudo, o quanto o país precisa, neste momento difícil, de pessoas com a inteligência e a lucidez de Henrique Neto.

Porto de Mós

   De um projecto de requalificação não se espera outra coisa que não seja a melhoria do espaço em que se pretende intervir.

   Em Porto de Mós, a requalificação das ruas 5 de Outubro e Mestre de Avis, empreendida pela Câmara Municipal, parece desmentir, em absoluto, aquela ideia.

   Escassos meses após a conclusão das obras, o mínimo que se poderá dizer é que a situação é caótica: os passeios desapareceram, a confusão instalou-se e quem tiver a veleidade de se deslocar a pé, é forçado a fazê-lo no espaço em que circulam e estacionam carros, com o desconforto e o risco que se adivinham.

   Como entender o que ali se fez? Por que razão não foram definidos e salvaguardados espaços de exclusiva utilização pedonal? Custará assim tanto facilitar a vida às pessoas?

    E de que está à espera a Câmara Municipal para emendar as asneiras que, por desatenção ou incúria não soube evitar? Como explicar a deficiente drenagem das águas pluviais ou a falta de qualidade visível em largos troços de calçada? Não deveria a edilidade ser mais rigorosa e exigente com as obras que adjudica e paga com o dinheiro dos contribuintes?

    Afinal de contas, pode-se discutir se a calçada portuguesa é ou não o melhor pavimento. Ou o mais adequado a determinados espaços.

    Nesta, como em tantas outras matérias, as opiniões dividem-se. Mas todos estarão de acordo num ponto: só a boa calçada portuguesa poderá representar uma efectiva mais-valia para o concelho.

Isto é Portugal

  
   No momento em que uma crise grave ameaça o presente e o futuro dos Portugueses, seria de esperar que a classe política, por uma vez, estivesse à altura da sua enorme responsabilidade: agregando forças, mobilizando recursos, descobrindo soluções e respostas onde elas, aparentemente não existem.
   Mas isto é Portugal.
   Sem uma elite dirigente capaz, e com um povo diminuído e espartilhado por um inacreditável défice de orgulho e auto-estima, Portugal parece resignar-se, a cada dia que passa, a um destino de irrelevância e pobreza. Que fazer? Como inverter o sentido do abismo que nos assombra? Como dominar a desorganização que nos apouca?   Como vencer o derrotismo que nos paralisa? Como eliminar esta corrupção que nos estigmatiza e envergonha?
   Nunca, como agora, foi tão urgente responder a tais perguntas.
   Agora, mais do que em qualquer outro momento da nossa história recente, é preciso que alguém neste país tenha o discernimento necessário para perceber a crise em toda a sua amplitude. Alguém que saiba mobilizar os Portugueses para a defesa do seu próprio futuro, e esteja disposto a fazê-lo.
   Na sociedade civil, nas universidades, nos partidos políticos, na imensa massa anónima. Alguém.